Glossário

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No princípio do século XVIII, o surgimento da baleação de alto mar (offshore whaling) – ligada ao início da caça ao cachalote – e o seu grande desenvolvimento ao longo do século seguinte, aumentou a duração das viagens e trouxe as barcas baleeiras americanas até às águas dos Açores (então chamados Western Islands) – a primeira grande zona de baleação dessas novas rotas. As embarcações utilizadas cresceram em tamanho e em número e, progressivamente, o arquipélago passou a ser mais visitado como importante entreposto de abastecimento de víveres, água e tripulações.
O crescimento das frotas baleeiras levou a um aumento do número de marinheiros, destacando-se os açorianos e cabo-verdianos, apanhados nas rotas da baleação. Os homens recolhidos nas ilhas atlânticas não falavam inglês e, quase sempre, ocupavam os postos de menor relevo na hierarquia das barcas baleeiras, destinados aos marinheiros com funções menos especializadas. No entanto, com o aumento da sua experiência e a demonstração da sua bravura, muitos ascenderam na hierarquia, tornando-se armadores ou chegando ao posto de capitão em algumas dessas embarcações.
A linguagem usada a bordo das barcas baleeiras americanas acabou por ser adotada pelos marinheiros açorianos, que desconheciam os termos portugueses equivalentes. Muitos destes baleeiros regressaram às suas ilhas de origem, tendo sido eles os pioneiros da caça costeira do cachalote (shore whaling) e do aproveitamento dos seus óleos nos Açores. Assim, chega-nos uma nova linguagem constituída por vocábulos anglófonos aportuguesados relativos aos animais, às suas características morfológicas, aos barcos utilizados, aos utensílios e ferramentas e aos processos inerentes à caça e desmancho do cachalote. Estes termos e expressões sofriam variações de ilha para ilha, consoante quem os tinha trazido e de acordo com o falar típico de cada ilha.
De seguida, fazemos uma breve resenha de alguns vocábulos, utilizados na ilha das Flores, relacionadas com a faina baleeira e os respetivos termos em inglês que lhes deram origem, quando os há.

Ambre Pardo
Ampo
Anabeque
Arcaboiço
Arriada
Azeite
Bajaneque
Baleia
Baú
Bêla
Blanquete
Bláquefixe
Blésequine
Blous / Bloz
Botinhoso
Bouéte
Brichar
Briching
Bulo

Bumbo / Bume
Cafe / Cafre
Caise
Caldeiro
Campanha Baleeira
Choque
Clite
Companha
Cula
Draiva
Escafe
Escrima
Espato / Esparto
Estanó / Estanol
Forque
Janco
Linha do Bote
Logaête
Marcas do Arpão

Ór / Ôa
Pá do Bote
Pano de Sinais
Pêguim
Peixes Maus
Pissas
Quilha / Quelha
Raituel
Rigar
Rofe
Raloca
Scrimshaw
Sepeire
Shótópe
Tofe
Traços
Trancador
Traiol
(*)

(*) Esta recolha de vocabulário resulta da consulta das obras: «O Homem e o mar – Embarcações dos Açores», de João A. Gomes Vieira (2002); «Baleação em Botes de Boca Aberta nos Mares dos Açores – História e Métodos Actuais de uma Indústria-Relíquia», de Robert Clarke (1954).